Meu primeiro amor literário foi pelo Crânio, da série Os Karas do Pedro Bandeira, estranho começar com um tão simplório, ainda mais comparado com os que vem a seguir. Mas o que fazer? Foi minha 1ª leitura em série, e o Crânio era um fofo, gostando da Magri desde os primeiros livros (quando ela ainda tinha uma quedinha péssima pelos outros Karas), sempre adoramos os não-correspondidos.
Minhas segunda paixão literária eu ainda não superei completamente, sempre retorno suspirando pra esse livro, A Moreninha foi o primeiro Best-Seller brasileiro, mostrando que não importa a época, as mulheres sempre acabam recorrendo a leitura pra encontrar o amor romântico que falta na vida real. O Augusto, protagonista do livro A Moreninha é aquele tipo de personagem que se faz de cafajeste, mas na verdade, é o homem ideal, fiel ao grande amor da vida dele (ou seja, aquele tipo de homem que não existe). Além de inteligente e engraçado, ele tem o dom de falar como os poetas, como não se apaixonar desde o 1º capítulo, ao vê-lo começar uma aposta de maneira tão divertida com seus amigos?
Minha terceira paixão literária (até eu me julgo por isso), foi Edward Cullen, não entrarei na questão de o quanto o livro é ruim ou não, mas devo admitir que uma vez pensando com clareza, o personagem me pareceu bastante falho, o ciúmes excessivo, a relação doentia, abusiva e de dependência, o abandono que tenta ser "altruísta", mas se analisado bem, foi egoísta e irresponsável... Enfim, eu tinha dezesseis anos, é normal ter mau gosto, aquelas atitudes pareciam uma forma de demonstrar amor, acho que não aprendemos corretamente como se deve demonstrar o amor romântico, então nos inspiramos nos livros e filmes, e não tem nada menos próximo a realidade do que o cinema e a literatura romântica. Edward Cullen abriu espaço para eu me apaixonar por uma dezena de personagens do mesmo gênero literário (romance sobrenatural), então encontrei:
Patch da série Hush Hush, e atire a primeira pedra quem não ficou excitada com o personagem, porque aquele anjo é um monumento, diversas cenas de tirar o fôlego e aquele beijo na cozinha, inesquecível!
Damen Auguste da série Os Imortais participou dos meus sonhos por meses ao encontrá-lo no primeiro livro da saga, mas o amor foi diminuindo com o passar dos livros, esse é um grande problema das sagas longas, as vezes a série nos cansa.
E pra fechar a leva dos personagens sobrenaturais, nada mais, nada menos que Jace de Os instrumentos Mortais, ele super fez eu superar minhas paixões anteriores, o menino com sangue de anjo e de caçador de demônios teve uma paixão proibida, e ninguém resiste a um amor que não pode acontecer, é impossível você não ficar completamente viciada nesse tipo de romance, porque o amor está ali, em cada linha e a gente espera que ele aconteça, mas fica aquela tortura de não se concretizar, como não amar o drama? Nós mulheres amamos o drama! Mas isso é um assunto pra outra postagem... E se você é uma leitora de romances e não se apaixonou por esses personagens, ou você não leu essas histórias, o que é um absurdo, ou você leu errado, e em ambos os casos, leia agora!
Mas é claro que eu ia me deparar com distopias pra sofrer e ficar numa bad absurda, eu amei Peeta e Quatro, só que ninguém se comparou a Maxon, primeiro porque o cara já era um príncipe de verdade, segundo porque ele é capaz de dar o céu e a terra para quem ele ama (nem vou listar tudo que fez pela América, e se não leu, leia e aprenda como uma mulher deseja ser amada), e terceiro porque ele escreveu cartas de amor (no plural), o homem que escreve cartas de amor merece um pedestal, mas as do Maxon merecem um monumento do tamanho da Estatua da liberdade, sem falar no fato de que ele sofreu na mão da America que não merecia ele, eu que merecia! Ainda não superei esse Crush!
Até aqui... Minhas leituras eram bem decentes, no sentido de serem romances com uma pitada de atração física, mas todas tinham um enredo bem construído, uma aventura interessante e o amor apenas colocava um tempero na história. Mas recentemente, uma amiga me apresentou os romances de época, me iniciando nessa vida com Os Bridgertons, e quem leu sabe que as histórias são engraçadas, do tipo que você não consegue conter o riso mesmo e fica igual idiota não importa onde esteja, e pelo amor de Deus, a tensão sexual que era ocasional nos livros que eu tinha o costume de ler, é algo constante nesse tipo de literatura, além de ter a descrição do ato e tudo mais, não é o tipo de livro que se lê em ônibus.
Uma pausa pra comentar isso, acho lamentável ver pessoas lendo 50 Tons de Cinza, Belo Desastre, ou qualquer livro de literatura erótica em locais públicos e principalmente no transporte, gente, se você não lê esse gênero no conforto da sua cama, de baixo das cobertas, então você não entendeu o intuito da história. Voltando ao romance de época, podem atirar pedra em mim, mas não me apaixonei pelo Duque da Dafhne, o Simon não me ganhou nenhum pouco, acho que tenho aversão a personagens com esse nome, por causa do Simon de Instrumentos Mortais que era muito chato, mas voltando aos anos de 1800, Anthony foi uma paixão construída, porque eu tinha certo receio dele por causa do livro da Dafhne, fui desenvolvendo uma queda por ele com o passar dos capítulos e no final do livro eu já tava me sentindo em abstinência.
Benedict foi amor a primeira vista, primeiro porque tenho tara em homem alto, segundo porque me identifiquei com ele na questão de ser mais um dos Bridgertons, sou a filha número quatro, sei exatamente como é ser mais uma, e em terceiro lugar, a história dele é uma releitura da Cinderela, não tem como não amar.
Collin foi um amor que eu já nutria desde o primeiro livro da série, aumentando com o segundo e com o terceiro, e quando finalmente foi a vez dele, minhas expectativas estavam no céu, o que me fez ter uma queda enorme, porque descobri um Collin que eu não esperava, mas ainda estava apaixonada, afinal, são os Bridgertons e é o Collin, que é tipo, o melhor e o mais amado personagem, com um sorriso dele, você perdoa tudo. Os outros Bridgertons que me desculpem, mas só encontrei novamente uma paixão literária no Michael, marido da Francesca, aquele personagem deixa qualquer leitora sem fôlego. Depois é claro que me envolvi em outras paixões, com Os Bedwyns, com os St. John da série Os números do amor, e tantos outros.
E pra fechar com chave de ouro, não poderia faltar o grande amor da minha vida literária, Mr. Darcy de Orgulho E Preconceito, primeiro lugar, não tem como comparar ele com absolutamente ninguém, segundo lugar, se um homem quer saber como é o amor idealizado, o amor que toda mulher espera receber, ele precisa ler Orgulho E Preconceito. Eu vi uma lista absurda com os 4 motivos para Mr. Darcy ser o homem perfeito, meu bem, eu consigo pensar em 20 motivos em dois minutos. Quer uma paixão literária que não importa quantos livros você leia, você jamais superará? Mr. Darcy! Eu tenho uma penca de irmãs, uma família escandalosa, sou pobre e nunca recusaria um pedido de Mr. Darcy, será que ele não me quer no lugar da Lizzy? Enfim, leia o livro, não viva apenas com a memória do filme, que é bom, ótimo, mas ainda assim, nada se compara ao personagem do livro.
Por fim, eu gostaria de terminar falando sobre muitas outras coisas relacionadas as paixões literárias, mas por hora, vou apenas listá-las, são minhas indicações pra quem quer se apaixonar um pouco sem se decepcionar. E também vou lembrar que literatura é arte, é pra nos causar um efeito, nos assustar, nos animar, nos emocionar, então antes de apontar o dedo e dizer "nossa, essa pessoa só lê porcaria", pensa que talvez essa pessoa queira fugir da realidade para um lugar onde ela pode se apaixonar com segurança, e isso, não é um defeito. Então não julgue o gosto literário alheio.