Sabe aquelas histórias de ser “A
experiência mais linda da sua vida”, de que “vai te transformar para sempre”,
pois é, ela não é real, pode parecer a coisa mais obvia do mundo o que vou
escrever agora, mas parece que é necessário explicar, assim como toda
experiência de vida, a maternidade, é algo único para cada ser humano, e sim,
pode ser a experiência mais linda e pode transformar para sempre alguém, mas
isso não é algo que acontece com toda mãe.
Minha experiência: A gravidez foi
terrível, nada de me sentir linda e poderosa, eu me sentia um lixo, um
recipiente, algo que existia apenas com a finalidade de dar vida à outra coisa,
como se a vida dele, tivesse anulando a minha. Eu vomitei todos os dias por 5
meses, sendo que o normal é vomitar, as vezes, nos dois primeiros meses. Eu
perdi 4 quilos durante a gravidez, em vez de ganhar. Eu chorava de tristeza
toda semana, não uma vez por semana, mas três, quarto, cinco.
E nos últimos meses de gravidez,
parecia que eu já estava gravida há anos, que aquilo nunca teria um fim,
parecia que eu tinha parado no tempo, e eu estava esperando que ele nascesse,
pra eu voltar a viver, a existir.
Ainda assim, com 4 meses de
gravidez, comecei a ter sangramentos e me desesperei, foi quando descobri que
não queria perder a criança, com 3 meses e meio, chorei de emoção ao ouvir o
coração dele batendo, e durante o parto, tive medo de algo dar errado, de ele
não ficar bem, mas não me preocupei naquele momento comigo.
Então sim, minha vida se
transformou com a gravidez, e foi no exato momento do parto, não foi na
primeira vez que ouvi o coração dele, ou no primeiro ultrassom, ou quando
descobri o sexo da criança, ou quando o peguei no colo pela primeira vez. Foi
no exato instante que ele saiu de dentro de mim, e senti um medo enorme de tudo
no mundo, de qualquer coisa que pudesse fazer mal a ele.
Essa foi a minha experiência,
essa foi a minha forma de enxergar a maternidade e começar a vivê-la. Tem
pessoas que nunca vão se tornar mãe, mesmo que passem pela gravidez e pelo
parto, mesmo que cuidem de seus filhos. Porque o instinto maternal não é como
um botão que se aciona dentro da mulher, porque a maternidade não é mágica, e é
preciso parar de mistifica-la e impor a mulher a vontade de ser mãe.

Nenhum comentário:
Postar um comentário