Sobre ser mãe

em domingo, 13 de maio de 2018


Sabe aquelas histórias de ser “A experiência mais linda da sua vida”, de que “vai te transformar para sempre”, pois é, ela não é real, pode parecer a coisa mais obvia do mundo o que vou escrever agora, mas parece que é necessário explicar, assim como toda experiência de vida, a maternidade, é algo único para cada ser humano, e sim, pode ser a experiência mais linda e pode transformar para sempre alguém, mas isso não é algo que acontece com toda mãe.

Minha experiência: A gravidez foi terrível, nada de me sentir linda e poderosa, eu me sentia um lixo, um recipiente, algo que existia apenas com a finalidade de dar vida à outra coisa, como se a vida dele, tivesse anulando a minha. Eu vomitei todos os dias por 5 meses, sendo que o normal é vomitar, as vezes, nos dois primeiros meses. Eu perdi 4 quilos durante a gravidez, em vez de ganhar. Eu chorava de tristeza toda semana, não uma vez por semana, mas três, quarto, cinco.

E nos últimos meses de gravidez, parecia que eu já estava gravida há anos, que aquilo nunca teria um fim, parecia que eu tinha parado no tempo, e eu estava esperando que ele nascesse, pra eu voltar a viver, a existir.

Ainda assim, com 4 meses de gravidez, comecei a ter sangramentos e me desesperei, foi quando descobri que não queria perder a criança, com 3 meses e meio, chorei de emoção ao ouvir o coração dele batendo, e durante o parto, tive medo de algo dar errado, de ele não ficar bem, mas não me preocupei naquele momento comigo.

Então sim, minha vida se transformou com a gravidez, e foi no exato momento do parto, não foi na primeira vez que ouvi o coração dele, ou no primeiro ultrassom, ou quando descobri o sexo da criança, ou quando o peguei no colo pela primeira vez. Foi no exato instante que ele saiu de dentro de mim, e senti um medo enorme de tudo no mundo, de qualquer coisa que pudesse fazer mal a ele.

Essa foi a minha experiência, essa foi a minha forma de enxergar a maternidade e começar a vivê-la. Tem pessoas que nunca vão se tornar mãe, mesmo que passem pela gravidez e pelo parto, mesmo que cuidem de seus filhos. Porque o instinto maternal não é como um botão que se aciona dentro da mulher, porque a maternidade não é mágica, e é preciso parar de mistifica-la e impor a mulher a vontade de ser mãe.

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