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Sobre as questões que a literatura levanta

em sexta-feira, 29 de junho de 2018


Pensar literatura sempre é complicado, pois antes de mais nada, é uma forma de produção artística, então é muito difícil pensar que alguns livros são escritos com fins lucrativos, sendo assim, são apenas produtos, enquanto outros são de fato produzidos pelo autor com a finalidade de criação de uma obra de arte. Como discernir o que é cada livro e se temos o direito de classificá-los, visto que o conceito de arte é muito amplo, além de ser único a cada pessoa, inclusive ao autor, que pode escrever por dinheiro, mas considerar que é arte, sendo assim, como poderíamos desmerecer e classificar como mero produto? Enfim, na minha concepção, é uma questão sem resolução. 

Ainda sobre literatura, muitas pessoas pensam sobre ela igual ao cinema, tem os filmes/livros cults, bem feitos, inteligentes, memoráveis, premiados, eruditos, e em contra partida, existem os filmes/livros de massa, com roteiros/histórias fracas, meros produtos das industrias cinematográfica/editorial. No entanto, os livros mais simplórios podem abrir portas para  o gosto literário, pode criar leitores, que talvez um dia se interessem pela "alta literatura". O livro de massa atinge mais pessoas e têm uma apelo maior, fazendo um bem ao leitor, pois a leitura em si, proporciona diversos benefícios, não importa o tipo de leitura. A pessoa que lê, amplia o vocabulário, desenvolve melhor a capacidade interpretativa e argumentativa, ela escreve melhor e tem maior domínio da sua língua. 

Além de que, livros considerados ruins também podem colaborar para o desenvolvimento do pensamento de cada pessoa, as vezes histórias que não são complexas, podem gerar o questionamento do leitor, e não existe nada melhor do que a pessoa desenvolver uma visão crítica e questionadora. Outra questão importante é "como levar o apresso pela leitura e literatura as pessoas?", somos um país de não leitores, as pessoas usam artigos para argumentar, sem terem de fato, lido o artigo na integra, as pessoas respondem textões no facebook, sem ler o texto completo, elas brigam sem prestar atenção nos argumentos, apenas pensando nas próprias respostas. 

O Brasil, lamentavelmente, é um país de não leitores, a pergunta mais importante a ser feita é: Como desenvolver nas pessoas o hábito da leitura? Como fazê-las ver que a leitura é uma atividade de lazer? Como mostrar a elas que é uma forma de arte tanto quanto a pintura, a dança, o teatro ou cinema? Como lhes mostrar que o texto pode lhes proporcionar sensações tanto quanto as demais artes? Enfim, pensar literatura sempre é algo complexo e vale a pena dedicarmo-nos a torná-la algo mais acessível e instigante ao público, mas por hora, ficam esses questionamentos para pensar sobre.  

Sobre ser mãe

em domingo, 13 de maio de 2018


Sabe aquelas histórias de ser “A experiência mais linda da sua vida”, de que “vai te transformar para sempre”, pois é, ela não é real, pode parecer a coisa mais obvia do mundo o que vou escrever agora, mas parece que é necessário explicar, assim como toda experiência de vida, a maternidade, é algo único para cada ser humano, e sim, pode ser a experiência mais linda e pode transformar para sempre alguém, mas isso não é algo que acontece com toda mãe.

Minha experiência: A gravidez foi terrível, nada de me sentir linda e poderosa, eu me sentia um lixo, um recipiente, algo que existia apenas com a finalidade de dar vida à outra coisa, como se a vida dele, tivesse anulando a minha. Eu vomitei todos os dias por 5 meses, sendo que o normal é vomitar, as vezes, nos dois primeiros meses. Eu perdi 4 quilos durante a gravidez, em vez de ganhar. Eu chorava de tristeza toda semana, não uma vez por semana, mas três, quarto, cinco.

E nos últimos meses de gravidez, parecia que eu já estava gravida há anos, que aquilo nunca teria um fim, parecia que eu tinha parado no tempo, e eu estava esperando que ele nascesse, pra eu voltar a viver, a existir.

Ainda assim, com 4 meses de gravidez, comecei a ter sangramentos e me desesperei, foi quando descobri que não queria perder a criança, com 3 meses e meio, chorei de emoção ao ouvir o coração dele batendo, e durante o parto, tive medo de algo dar errado, de ele não ficar bem, mas não me preocupei naquele momento comigo.

Então sim, minha vida se transformou com a gravidez, e foi no exato momento do parto, não foi na primeira vez que ouvi o coração dele, ou no primeiro ultrassom, ou quando descobri o sexo da criança, ou quando o peguei no colo pela primeira vez. Foi no exato instante que ele saiu de dentro de mim, e senti um medo enorme de tudo no mundo, de qualquer coisa que pudesse fazer mal a ele.

Essa foi a minha experiência, essa foi a minha forma de enxergar a maternidade e começar a vivê-la. Tem pessoas que nunca vão se tornar mãe, mesmo que passem pela gravidez e pelo parto, mesmo que cuidem de seus filhos. Porque o instinto maternal não é como um botão que se aciona dentro da mulher, porque a maternidade não é mágica, e é preciso parar de mistifica-la e impor a mulher a vontade de ser mãe.



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